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Erico Veríssimo

Livrarias

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DENISE FILIPPINI ALMANSA


Nos conta, com singela mas, emotivas palavras a história de sua formosa livraria. Ou melhor dito, sobre o nascimento e o crescimento de um Templo do Livro e da Cultura portoalegrenese.

E notem todos aqueles que leam o texo, como é possível que uma biografia, possa ser tão rica e expressiva, em tão poucas palavras quando, quem escreve, é o coração da sua mentora.

Denise, PARABÉNS e obrigado pela dádiva.


Sou filha de um professor que amava os livros, gente e lecionar. Cresci rodeada de livros e exemplo. Aos 9 anos meu pai colocou-me no curso de encadernação, onde aprendi costurar, refazer capas, ... Eu era a única criança da turma. Ele sempre me dizia que meu futuro estava nos livros e eu supunha que seria para estudar.
Os anos passaram e volta e meia meu pai dizia que meu futuro estava nos livros e que quando ele morresse todos os livros de seu gabinete seriam meus, nenhum eu deveria dar ao meu irmão. Volta e meia repetia que meu futuro estava naquele gabinete.
Ocorre que a maioria dos livros eram em inglês e meu irmão foi alfabetizado nos Estados Unidos, na época que meus pais moraram lá. Para ele o inglês era fluente, no meu caso não.
Quando eu tinha 19 anos, meu pai teve o terceiro infarto e partiu, com 58 anos.
Foi uma época muito difícil, ficamos morando eu minha mãe e meu avô naquela imensa casa. Um ano após partiu meu avô.
Vendemos a casa e compramos um apartamento. Não havia espaço para os livros de meu pai, resolvi então escolher
alguns e o restante doar pois ele era um homem que estava sempre ajudando as pessoas e julguei que ficaria satisfeito.
No entanto uma amiga alertou-me para que eu telefonasse para o Martins Livreiro que eles viriam à minha casa e compraria a biblioteca e assim eu não teria trabalho de ficar distribuindo os livros e ganharia um bom valor para ajudar na mudança.
Foi o que eu fiz, agendei horário e Ivo Almansa foi à nossa casa. Minha mãe o recebeue quando eu o conheci, ele estava com o casaco na cadeira que meu pai sentava e já com um livro nas mãos. Conversamos rapidamente, deu o valor que poderia pagar, vendi os livros.
No dia seguinte ele me telefonou dizendo que havia gostado de mim e queria me conhecer melhor, convidou-me para jantar. Eu recusei e ele insistiu. Pedi então que ligasse em uma semana que estava para chegar uma amiga do interior e a levaria junto pois não sairia sozinha com quem eu não conhecia.
Mas pensei que nunca mais ele ligaria.
Mas o destino estava traçado, encontrei a pessoa certa, também apaixonado por livros, maduro, com assunto, com afinidade.
Em seis meses estávamos casados.
Após doze anos inauguramos a Livraria Erico Verissimo, um verdadeiro presente do destino, onde os livros de meu pai se multiplicaram inúmeras vezes e onde meu trabalho é um lazer.
Aqui coloco todo amor que recebi de meu pai e a cada dia que passa, vejo o quanto ele tinha razão, meu destino estava mesmo nos livros.


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