Temas de Arquitetura


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PARÓQUIA NOSSA SENHORA DE LOURDES - CANELA - RS

Realizações > Relação de Instituições

REVITALIZAÇÃO DA PRAÇA DA MATRIZ
2011 / 2012

MEMORIAL DESCRITIVO

Conceituação e Intencionalidade da Proposta

Na presente proposta de Revitalização da Praça Matriz considerou-se, como não podia ser de outra forma, a presença dominante no espaço urbano e na história de Canela da Catedral de pedra.
Ela foi considerada o princípio e o fim do projeto como imagem da Igreja Viva.
Duas intenções iniciais deram lugar ao desenvolvimento do trabalho e produziram os espaços propostos.
a. Produzir uma sensação de elevação da Catedral;
b. Acentuar sua presença como imagem, isolando-a, externamente, para não permitir contatos físicos, meramente superficiais, que a depreciem e a desvirtuem. Desde o exterior Ela será então, um símbolo, isto é a Casa da Igreja. Mas que chama e convoca para a celebração da Aliança.

A sensação de elevação

Foi acentuado o eixo da Rua Felisberto Soares com a presença de uma rampa, que se inicia no seu encontro com a praça a que se eleva - seguindo na mesma direção do eixo Oeste-Leste - até o acesso principal da Catedral, onde a continuidade permanece materializando-se a sensação de elevação na torre da igreja.

O Isolamento

A sensação de elevação é reforçada pelo isolamento físico. O anteprojeto considera que todo trânsito de pedestres seja realizado no nível dos passeios ou abaixo destes, deixando-se o prédio num patamar mais elevado e circundado por elementos fiscos que impedem a chegada de público em geral até suas paredes, exceção feita na sua fachada Leste e cujas razões serão analisadas posteriormente.

O Largo

Na frente da Catedral, no espaço compreendido entre sua fachada Oeste e o alinhamento com a rua Borges de Medeiros por toda a largura da praça, cria-se um espaço num nível inferior aos passeios, e no qual acontece uma série de lugares intimamente ligados à liturgia católica.
Os passeios das ruas laterais avançam em forma de cunha sobre esse largo e produzem terraços orientados nas direções SO - NE e NO - SE, isto é, em visuais convergindo em direção ao centro da fachada Oeste.
Os passeios da Borges de Medeiros - Oeste - também avançam frontalmente em direção à Catedral, produzindo mais dois terraços sobre o Largo.
Os terraços estão projetados de maneira que facilitam e até induzem à contemplação da Catedral. São espaços generosos e estanques, nos quais não acontece trânsito de pedestres.
Suportarão, em ocasiões especiais, grande quantidade de público, sendo que os bancos que normalmente terão, deverão ser facilmente desmontáveis ou ser projetados para que não impeçam um normal desenvolvimento.
É possível descer pela frente Oeste por duas grandes escadas centrais, uma a cada lado da Rampa Principal, e duas rampas, coladas nos terraços em cunha, que respeitam as normas vigentes de acessibilidade (NBR 9050). Existem mais duas escadas laterais - lados Norte e Sul - que também dão acesso ao Largo.
O isolamento físico é notável. Desde os terraços e com maior ênfase desde o Largo, a Catedral se eleva sendo a única forma de contato físico, o acesso à mesma.
Para isso é necessário sair do largo e para chegar à entrada principal - fachada Oeste - o uso da Rampa se faz necessário. Desde a rua Borges de Medeiros no sentido do eixo longitudinal da cruz ou das ruas laterais, nos eixos transversais. Os acessos ao Largo, já mencionados, estão estrategicamente posicionados para facilitar o acesso à Rampa Principal.

A Rampa Principal (em cruz)

Está pensada com um forte apelo simbólico, já que sua forma se assemelha à cruz. Um fundamental valor funcional aumenta a sua importância, pois é o único caminho para chegar ao interior da Catedral pela sua frente principal.
Formada por três elementos também é um desafio estrutural. Seu vão livre atinge quase 50 m, no sentido Norte-Sul e 30 m no sentido Leste-Oeste. Tem contrafortes e paredes estruturais importantes que lhe servem de apoios nos seus extremos, e que são aproveitados para a criação de espaços de diversas funções.
Possui também escadarias importantes, uma no seu início à rua Borges de Medeiros e outra que permite o acesso ao interior da igreja através de sua porta principal.
O cálculo estrutural considerará o ingresso de carros e utilitários de pequeno porte nas rampas laterais, pensado para pessoas que precisem chegar com transporte automotor à porta principal da Catedral. Casamentos, batismos, chegada de autoridades, e serviços de manutenção e conservação.
No centro da rampa, o encontro dos seus elementos forma o Adro, espaço generoso de acordo com sua importância na liturgia.
Desde o ponto de vista do seu simbolismo se pensou em total transparência e pureza de suas formas, pelo que se optou por guarda-corpos de cristal temperado laminado.
O material para sua construção será o concreto armado para os aspectos estruturais e seu piso será de granito flameado.

A Via Sacra

A Proposta Espaço - Funcional

A Via Sacra, no exterior da igreja, propôs um desafio considerável à solução do projeto.
Normalmente ela acontece no interior das igrejas, nas suas naves laterais. Em quadros ou estatuetas pequenas e a alturas consideráveis.
No caso que nos ocupa, aproveitou-se a intenção de isolamento e a necessidade de hierarquizar as laterais da praça, fazendo-as atrativas ao percurso total ao redor da Catedral.
As estações da Via Sacra acontecem então em pracinhas semicirculares que "rodeiam" o prédio e cujos pisos estão em níveis semelhantes aos dos passeios. O prédio está separado das mesmas por um muro de contenção e um canteiro continuo que termina nas paredes da igreja, e cujo nível é mais alto que o piso da Via sacra.

Circulações

Existem, na proposta, as seguintes classes de circulações da Via Sacra:
a.
A Vereda de Peregrinação: é um caminho que não se adentra na devoção e somente acompanha paralelamente às 14 estações. Seu piso deve ser executado com retalhões de basalto ferruginoso de comprimento mínimo de 1,00 m. Sua colocação deve acompanhar o sentido da caminhada. No início, lateral Norte, sentido de Oeste ao Leste; nos fundos, fachada Leste, de Norte ao Sul e na lateral Sul, o sentido deve ser Leste ao Oeste. Essa vereda está separada do passeio propriamente dito por uma faixa de canteiros, bancos e pérgulas, já que as atividades relacionadas com a eles divergem muito com a peregrinação, significando que podem acontecer simultaneamente as duas atividades: passeio e devoção.
b.
A Senda da Peregrinação: de percurso circular é o caminho da devoção e veneração. Neste caso, os retalhões de basalto colocados radialmente assinalam com clareza a localização de cada uma das estações.
c.
A Trilha de orientação: todo o percurso da Via Sacra é acompanhado por uma trilha de pedra portuguesa, que começa no passeio Norte, antes da 1ª Estação e finaliza no passeio Sul, após da 14ª. Esta trilha tem duas intenções: mostrar a unidade da Via Sacra - isto é, remarcar que são quatorze estações, uma depois da anterior - e por essa razão a trilha não se interrompe nunca. E, por outro lado, serve de orientação aos deficientes visuais que desejem completar o percurso. Na frente de cada estação haverá nela uma marca que avisará a essas pessoas que está posicionado frente a determinada estação.
A mesma pedra portuguesa forma um Centro de Devoção em cada pracinha, que se prolonga radialmente em faixas, uma por cada estação.

As Estações

Foram projetadas quatro pracinhas semicirculares, comportando, duas delas, quatro estações cada, e três estações cada, as outras duas.
As estações têm dois elementos constitutivos: os muros de suporte e as imagens propriamente ditas.
a.
Muros de suporte: sua forma é de arcos - que têm o mesmo raio que a pracinha. Estão pensados em concreto armado revestidos em suas cinco faces visíveis por listels de granito.
b.
Imagens: parte-se do pressuposto de veneração e devoção e da total compenetração com cada um dos estágios alcançados no Caminho da Cruz. Isso implica participação ativa em cada cena da paixão de Cristo. Dito isto, à forma circular dos muros de suporte soma-se as imagens tridimensionais, em bronze, numa amalgama de escultura e pintura. Às vezes a imagem - ou parte dela- será de tamanho natural, mas assumirá, a partir de certo ponto, uma proporção perspectivada, o que dará profundidade a cena. Como cada estação ocupará a totalidade da superfície -lembrar que é curva - as imagens serão realmente vivenciadas pelos participantes não como uma pintura, e sim como estando dentro da cena.
Por exemplo, a mão do Cristo pregada na cruz, avança do centro do muro em direção ao devoto e o restante da imagem se perspectiva e entra dentro da cena total; a sua direita o sicário que o está pregando, e a sua esquerda a Virgem Maria.
Ou o Cristo crucificado inclinado sobre os fiéis mostrando sua face.
Os muros de suporte estão sobre piso de pedra miracema cinza, cujo nível é 10 cm mais alto que o da pracinha. Estão unidos por grades ornamentais, não de segurança, mas que delimitam o espaço que não deve ser invadido, reforçando o isolamento físico da Catedral.
O piso da Vereda de Peregrinação se interrompe quando acontecem as duas entradas laterais da igreja. Como foi dito, a unidade do caminho está garantido pela Trilha de Orientação. Na entrada lateral Norte, para chegar à porta, exige subir escadas. Na entrada lateral Sul, o acesso é realizado mediante rampa ajustada às pessoas com necessidades especiais.
A iluminação das estações é de fundamental importância à valorização das imagens, e estão pensadas iluminações laterais e superiores.
c.
Fachada Leste (fundos): a Vereda da Peregrinação é interrompida e a proposta faz que o basalto do passeio avance e alcance as paredes da Catedral. A intenção é a de valorizar esta parte do prédio, pela sua beleza e porque é ali onde estão os símbolos mais sagrados da igreja. Há também então um sentido de elevação.

OS SANTUÁRIOS E SÍMBOLOS

Santuários dos Evangelistas

Foram projetados quatro lugares de veneração de São João, São Mateus, São Marcos e São Lucas. Localizados no Largo estão colocados em pontos do seu perímetro, que os fazem de fácil acesso e visíveis também dos terraços e dos passeios. São imagens em bronze fixadas em plataformas de nível superior ao do Largo. Iluminados individualmente.

A Cruz de Água e a Fonte de Água

O espaço projetado não podia prescindir da água, como símbolo e fonte da vida. A proposta, numa construção singela em forma de cruz, na qual a água a enche e corre, une conteúdos simbólicos. São duas Cruzes de Água, cada uma ao lado das escadas laterais - Norte e Sul - o que as faz visíveis quando se usam as escadas ou quando se inicia-a e termina a Via Sacra. Nas outras laterais das escadas existem duas fontes de água sem outra conotação que a de reforçar o seu simbolismo.


Santuário de Nossa Senhora Lourdes

A imagem de Nossa Senhora de Lourdes ocupa o espaço central do Largo, sob o Adro e no eixo da rampa principal (Leste-Oeste).
É uma construção que na, sua frente, tem um nicho circular com meio domo como cobertura. Nas suas laterais, a proposta inclui dois cristais temperados laminados, de altura igual ao do pé direito formado pela rampa. E que nas suas faces internas terão sendas lâminas de água - ou vertentes - correndo interruptamente. Entre os dois cristais haverá uma corrente de proteção, delimitando o espaço do Santuário.
O fato de ter havido uma aparição da Virgem levou representá-la de forma diferente. Não se propõe bronze e sim um vitral. A luz dará efeitos de extrema beleza e emoção, sobre um vitral etéreo que se materializa aos poucos, deixando aos devotos e fieis uma real e emocionante presença da Virgem da sua devoção.

Anúncios e Resenha Histórica

Sob o início da Rampa Principal, mais precisamente aproveitando seu contraforte Oeste, localizou-se um painel de dizeres. Ele tem forma semicircular e pode ser construído com policarbonato transparente. Alguns dizeres e imagens podem ser permanentes - por exemplo, a Resenha Histórica da Catedral e os patrocinadores do empreendimento - e outros notícias e anúncios de festividades e atividades próprias da paróquia.


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