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Gustavo Adolfo Bécquer

Literatura > Poesia

RIMAS


GUSTAVO ADOLFO BÉCQUER (1836 - 1870)
(Traduzido do original pelo autor do site)

XXI
"Que é poesia?" Dizes enquanto fixas
na minha pupila tua pupila azul.
"Que é poesia? E tu me o perguntas?
Poesia ...és tu."

XXIX
“.........
Só sei que nos voltamos
os dois num tempo
e nossos olhos se acharam,
e soou um beijo.

Criação do Dante era o livro,
era seu Inferno.
Quando a ele baixamos os olhos,
eu disse, trêmulo:
"Compreendes já que um poema
cabe num verso?"
E ela respondeu, acessa:
"Já o compreendo!”

LI
Do pouco de vida que me resta,
desse com gosto os melhores anos
por saber o que a outros
de mim tens falado.

E essa vida mortal..., e da eterna
o que me corresponde, se é que me corresponde algo,
por saber o que sozinha
de mim tens pensado.

LIII
Voltarão as escuras andorinhas
no teu balcão seus ninhos a pendurar,
e outra vez com a asa aos seus cristais
brincando chamarão;
mas aquelas que o vôo refreavam,
tua formosura e minha dita ao contemplar;
aquelas que aprenderam nossos nomes,
essas...não voltarão!

XXX
Eu vou por um caminho, ela por outro;
mas ao pensar no nosso mútuo amor,
eu digo ainda: "Porque calei aquele dia?"
E ela dirá: "Por que não chorei eu?”

XLIX
Alguma vez a encontro pelo mundo
e passa junto a mim;
e passa sorrindo, e eu me digo:
"Como pode rir?"

Logo assoma no meu lábio outro sorriso,
máscara da dor.
e então penso: "Acaso ela ri
como rio eu!"

LIX
Eu sei porquê sorris
e choras à vez;
eu penetro nos seios misteriosos
da tua alma de mulher.
Ris?... Algum dia,
saberás, menina, porque;
entretanto tu sentes muito e nada sabes,
Eu, que não sinto já, todo o sei.








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