Temas de Arquitetura


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1ª Série: TEORIA DA ARQUITETURA

Séries Temáticas

Título 6: OS EFEITOS COLATERAIS NA PROFISSÃO


A METODOLOGIA DO PROJETO

Temos, então, neste breve resumo da Teoria da Arquitetura, os elementos básicos do arcabouço comunicacional do arquiteto. A base teórica e científica que possibilitaria o desenvolvimento da metodologia do projeto arquitetônico, com seus passos de pesquisa, organogramas, fluxogramas de atividades, elaboração dos programas de necessidades e seu resultante imediato, o programa arquitetônico. As regras da composição expressadas na simetria, na semelhança, na uniformidade de elementos, no ritmo e toda a variada gama que se tem à disposição para dotar às nossas criações dos simbolismos que os destinatários e público geral esperam. É a hora dos partidos, dos croquis, da qualificação dos espaços. Ainda projeto, ainda imaginário.

RESTAURAÇÃO, PRESERVAÇÃO E COMUNICAÇÃO

Mas esses simbolismos têm que estar expressos como partes de uma cultura que os cria e os entende. Têm que responder “aos costumes”. A ótica dada à Restauração Arquitetônica, como guarda e preservação do patrimônio histórico, têm tudo a ver com isso. Mas não somente ficará aí. Não se trata de adorar “múmias”, e sim trazer à vida o que elas representaram e trazer, talvez, identidades subjacentes no inconsciente coletivo. Ou mudar seus simbolismos encontrando-lhes novas significações adaptadas à nossa época.
Desse “desenterrar” crítico e científico, trazendo o ontem ao hoje, e amalgamado com a criação coletiva do espaço construído, se formam os novos “aos costumes”.
E como arquitetura comunica, somos
profissionais de comunicação. Espera-se que o Arquiteto seja então formador de opinião.

LEGAL

Consequência fatal disso. Seu agir também transita em trilhas de consequências jurídicas.
O acerto de interesses diversos duma comunidade fazem necessárias as leis.
Os Planos Diretores e os diversos códigos têm essa propriedade e nós somos agentes imprescindíveis na sua elaboração.
São normas legais e, como toda norma legal, sempre tendem a proibir e limitar direitos. Nos dizem o que podemos fazer e muitas vezes como. Mas também como reconhecem o nosso direito individual e natural de liberdade, podemos fazer tudo àquilo que não proíbem.
Mas se entendemooss eles como peças chaves de uma melhor organização e reconhecemos a sua intenção de regular os interesses mais gerais de uma cidade, devemos senti-las como guia, como ajuda, como roteiro.
Para isso a necessidade de seu conhecimento teórico a partir da sua prática, em casos reais e concretos. Quantos mais sejam os arquitetos que atinjam esse nível, melhores serão os seus produtos intelectuais e melhores serão seus aportes à criação coletiva que significam esses corpos jurídicos.
Somos também
agentes jurídicos. Fazemos e praticamos as leis que fazemos.

CLIMA

Falei de criação coletiva. É impossível falar em construção de fatos arquitetônicos se não fazemos referência preferencial ao clima. Cada projeto nosso construído, significa a criação de um microclima. É também claro uma modificação no entorno ambiental. Parece-me que, além de comunicadores, também estamos na tarefa de agentes geográficos. A terra com seu clima (vem do grego que significa inclinar) produz a diferença de duração dos dias e provoca as estações. E nós com nossas construções interviemos para ou modificar seus efeitos se contraproducentes, ou para acentuá-los se benéficos.

SAÚDE

Somos também, agentes da saúde preventiva. Ou curativa no caso de construções especiais.
Eis que devemos também conhecer os elementos físicos que de alguma que possibilitarão a atividade nesse sentido. Motivo mais que suficiente para transitar os caminhos do acondicionamento natural dos espaços por nós criados.

ARTE

E, por último, falarei de uma virtude ou de um vício do ser humano. Seja um ou outro sempre nos cria problemas.
O que nos diferencia dos reinos vegetais e animais é o nosso hábito de produzir “atos inúteis” à nossa sobrevivência. Temos a necessidade imperiosa de adornar ou de enfeitar. Que o digam as pinturas rupestres feitas por nós quando homens das cavernas.
Sempre por traz de conceitos de higiene, de medicina, de funcionalidade, de climatologia, da procura de cada vez mais conforto, se esconde, tirânico e onipotente, o desejo ancestral de criar beleza, a qual,conforme o arquiteto Niemayer, é uma das funções mais importante da arquitetura. Isto é, também somos aguardados como
artistas.

ENGENHARIA

E ainda com se tem que transitar nas áridas areias das técnicas construtivas devemos, obrigatoriamente, ter o conhecimento da sua ciência. Isto é, também somos esperados como técnicos da construção.

PROPOSTA FINAL

Repetindo o que disse no Título 2: FATO CONSTRUTIVO

“Não existe nenhuma atividade humana duradoura, então organizada, que não precise do espaço construído”.

E agrego agora espaço que, planejado para funções específicas, exige de nós, arquitetos, conhecimento prévio e completo das atividades a serem praticadas, dos equipamentos necessários e das mais atualizadas ciências das construções.
Finalizo então, na proposta de equacionar disciplinas, pesquisas e estudos que, desde o ângulo que formam os vetores de sua especificidade e liberdade, tenham o objetivo final – e comum – de qualificar permanentemente a profissão e o valor social do arquiteto, enriquecendo sempre o nosso dom natural de imaginar realmente o espaço a criar.
Então, a posse de ferramentas e conhecimentos que façam possível seu estudo detalhado e a capacidade de transmiti-lo é uma obrigação profissional que merece a devida atenção.

É uma escada sem fim, com patamares que abrem a janelas que permitem visões de paisagens cada vez mais elevadas. E são paisagens que uma vez vistas, nunca se esquecem.



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