Séries Temáticas
Título 5: FUNÇÃO E APARIÊNCIA
A percepção da função de uma obra de arquitetura é derivada de sua aparência. Isto é, o seu aspecto deve revelar seu destino.
Acho que pode ser admitido falar em ícones arquitetônicos quando uma obra particular expressa tipologia e ideologia, que a localizam em determinada função.
Ícone, aqui, é entendido no sentido de evocação.
Pode-se dizer, por exemplo, que em tal a cidade a catedral é um ícone dentro dos templos católicos.
E que uma escola é um ícone dentro da arquitetura educacional.
E que esse hospital é um ícone dentro da arquitetura hospitalar.
Mas não creio prudente dizer que uma obra seja o ícone arquitetônico de uma tipologia determinada.
Não conheço nenhuma obra de arquitetura que seja o ícone absoluto da tipologia que assume. Existindo deixaria de ser ícone para se transformar em símbolo.
Símbolo aqui é entendido no sentido de substituição.
O dito de outra maneira, essa obra seria a referência única, pelo tanto absoluta, da tipologia analisada.
E eu, pessoalmente não acho possível que uma obra em particular seja o símbolo de todas as outras que cumprem a mesma função.
Quando isso acontece, já não se fala de arquitetura e sim de monumento. Por exemplo, o Partenon.
Retornando à linguagem da arquitetura se sabe que toda linguagem tem códigos, sintaxe e semântica.
E como toda linguagem deve ter a capacidade de relatar diferentes temas, sendo o arquiteto, o “escritor” com profundo conhecimento dos seus segredos.
Primam o talento e o estudo constante. O primeiro é dado, o segundo é de iniciativa pura e exclusivamente pessoal.
Códigos arquitetônicos
Em termos gerais podemos afirmar que o conceito intrínseco a um código pode ser independente do seu referente.
A mulher como objeto de desejo (referente), por exemplo, é usada para vender carros ou cerveja (significado).
A sensualidade (referente) é necessária para usar um relógio de marca reconhecida (significado).
E assim continua.
Na Arquitetura, pelo contrário podemos afirmar que o conceito ou significante se superpõe ao seu significado.
Vejamos o exemplo duma escada: descer-subir ou significado se confunde com a forma da escada ou significante.
Pois seria difícil que alguém com pouca roupa traga a ideia coletiva de escada. E muito menos nos provoque a subir ou descer.
Há propagandas inteligentíssimas nas que pessoas viram ícones perfeitos e cuja relação com os significados, desde a visão da lógica, beira o absurdo.
Mas funcionam.
Temos um colega que ainda hoje, após muitíssimos anos, a sua imagem continua representando uma linha de artigos de limpeza doméstica.
Ou o famoso Tio de um refrigerante.
Ou a cerveja do baixinho.
Só fato de lembrá-los testemunha a sua eficiência.
Mas a eficiência na Arquitetura se calibra de maneira bem diferente.
Uma porta, passar por ela (significado), se confunde com a sua forma ou significante. Não precisa de pouca roupa, nem do colega, nem do tio, nem do baixinho.
Ela é o que representa. Sua forma diz o que ela é e para o que serve.
Então desde o momento que existe a codificação podemos imaginar espaços e relatá-los ainda no campo das ideias, processo esse bem conhecido e denominado o Projeto Arquitetônico.
E dispomos da geometria como linguagem básica e inicial.
Podemos descrever uma obra, seja no projeto ou já construída, com base nos elementos e seus conexões que a geometria nos oferece:
1ª Conexão: sem significado, mas com valor diferenciado: a linha, o ângulo, o ponto. São os sons já relatados.
2ª Conexão: com significados e valores particularizados, mas ainda na bidimensão. Os polígonos são os melhores exemplos. O quadrado, o retângulo e o losango são os três quadriláteros, mas as relações entre seus lados e ângulos são totalmente distintas. Já o triângulo é único e indeformável. O círculo compartilha sua porção no plano com a circunferência, e ambos curtem a propriedade do número Pi, com o qual é possível achar a superfície de um e a longitude da outra. É a sintaxe.
3ª Conexão: como revela situações referidas a abstrações já que se relaciona com a geometria tridimensional, já está carregada de significado: são a pirâmide, o cone, a esfera, o cubo, etc. É a representação do espaço e como consequência, parte da semântica.
Claro que essa linguagem geométrica tem outros usuários - desenho, pintura, etc - não sendo exclusiva da Arquitetura nem nela se fundamenta.
Mas se projeta e se teoriza na Arquitetura com base nesta linguagem.
Relação entre Aparência e Função
São cinco os princípios considerados:
1º - Aspecto: a obra (ou projeto) deve ter todos os símbolos mínimos necessários para que possa mostrar seu propósito na simples observação. A visão ”do todo” deve comunicar sua função: deve obedecer aos costumes e se ajustar à cultura dominante.
2º - Estabilidade: condição ligada essencialmente à lógica estrutural, a que deve ser totalmente percebida na visão do todo.
3º - Equilibrio: este princípio está relacionado diretamente aos aspectos plásticos e à composição estética.
4º - Utilidade: a eficiência está condicionada a comunicar a “aptidão” da obra para cumprir seu fim.
5º - Proporcionalidade: proporcionalidade dupla, isto é referida à si mesma como unidade, e a partir desta condição referida ao entorno.
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